Contra o imperialismo <br>e a guerra
Da 24.ª Assembleia da Paz do CPPC, realizada no sábado em Lisboa, sobressaiu a convicção de que o movimento da Paz se reforça e alarga no País e no Mundo.
A assembleia revelou o fortalecimento do carácter unitário do CPPC
Esta convicção funda-se não tanto nos documentos apreciados e votados na assembleia (nomeadamente o relatório de actividades 2011-2013), como na sua própria composição: nela participaram representantes dos diversos núcleos do Conselho Português para a Paz e Cooperação, actualmente em funcionamento (Porto, Coimbra, Beja, Moura, Évora, Barreiro e Seixal), activistas de outros locais do País onde estará para breve a sua constituição – ou, em alguns casos, reconstituição, e personalidades de diversas áreas da vida nacional.
Mas para além do alargamento geográfico, que se vinha já acentuando de há alguns anos a esta parte, a assembleia do passado sábado revelou também o fortalecimento do carácter unitário do CPPC, patente sobretudo na saliente participação de membros da Liga Operária Católica. Os órgãos sociais eleitos reflectem este reforço e alargamento. Ilda Figueiredo foi novamente eleita presidente da direcção.
Não por acaso, o primeiro ponto do plano de acção aprovado prende-se precisamente com o reforço do movimento da Paz em Portugal. Tal objectivo é passível de ser alcançado quer com a iniciativa e acção próprias do CPPC como mediante o entendimento e a colaboração activa entre este e outras organizações de várias áreas de intervenção relativamente a questões relacionadas com a paz, a solidariedade e a cooperação entre países e povos. Os 40 anos do 25 de Abril, que se assinalam no próximo ano, e a defesa dos três primeiros pontos do artigo 7.º da Constituição da República Portuguesa são dois dos assuntos a merecer tal acção unitária e convergente. O CPPC compromete-se ainda a prosseguir com a sua acção no plano internacional com vista a reforçar o Conselho Mundial da Paz, cujo Secretariado integra.
Tanto no plano de acção como na resolução destacam-se ainda outros temas a merecer a atenção do CPPC nos próximos dois anos: a luta contra a NATO, considerada a «principal ameaça à paz», e que para o ano assinala 65 anos; e a solidariedade e cooperação com todos os povos do Mundo, em especial com aqueles que enfrentam a ingerência estrangeira, a chantagem, o bloqueio ou a ameaça de intervenção militar.
Os 100 anos do início da Primeira Guerra Mundial e os 65 anos do surgimento, à escala global, do movimento da Paz que o CPPC corporiza em Portugal serão seguramente efemérides a assinalar.
Conferência à tarde
Depois da assembleia, que concluiu os seus trabalhos da parte da manhã, realizou-se uma conferência subordinada ao lema «Construir a Paz com os Valores de Abril». Nela participaram, para além dos membros do CPPC, representantes de organizações sindicais e sociais, autarquias e embaixadas.
Nas diversas intervenções falou-se das ameaças à Paz no Mundo, da corrida aos (cada vez mais sofisticados) armamentos, dos recursos naturais finitos e preciosos que justificam a maioria dos conflitos, das mentiras que os fomentadores da guerra utilizam para «justificarem» o saque e o morticínio que promovem um pouco por todo o Mundo.
E falou-se, também, da outra face da política de guerra: a submissão de países e povos através da «guerra económica», potenciadora de outras guerras. O caso português, com o seu programa de empobrecimento e exploração promovido pelos representantes dos grandes monopólios internacionais, é claramente exemplo disto mesmo.
Especialmente emotiva foi a intervenção do histórico combatente da paz Silas Cerqueira, membro da presidência do CPPC, sobre Nelson Mandela, lembrando a acção do Movimento Português Contra o Apartheid (que o CPPC integrava), a visita de Mandela ao nosso país e o papel que países como Cuba e Angola tiveram no fim do regime fascista e racista da África do Sul.